Archive of ‘Diário de uma garota’ category

Síndrome do Pânico

Oi amores, tudo bem com vocês? Hoje o assunto é sério e o tema é delicado. Afinal, vocês sabem o que é Síndrome do Pânico?

IMG_8502 - Cópia

Bem, estou escrevendo para poder auxilar pessoas que lidam com isso, que tem isso e as vezes não sabe, pessoas próximas a quem tem e as vezes não entende. As vezes dizer que você tem Síndrome do Pânico soa mais como “eu não tenho controle dos meus atos e vou te esfaquear a qualquer momento”, um dos motivos de poucas pessoas saberem que eu lido diariamente com isso. Mas, a tal síndrome com outras palavras não passa de um distúrbio de ansiedade. Sim, ansiedade. Nada a ver com violência, agressividade ou coisas do tipo.

Eu sempre fui MUITO agitada e sempre exigi muito de mim. Hoje preciso dar conta do blog que envolve escrever, fotografar, gravar, editar, e tudo mais, lidar com faculdade, trabalhos, provas, viajar para minha loja física, marcar preços, organizar, atender na mesma, trabalhar na loja virtual, ah, arrumar tempo para o namorado, (nem incluo família, infelizmente… eles sabem da minha lista de tarefas) e as vezes, de madrugada, fazer uma unha. Só que tudo isso tem que ser bem feito.

Uns 2 anos atrás vim a desmaiar na faculdade, parei no hospital depois de gritar de dor a madrugada toda com todos os sintomas de um infarto: lado esquerdo completamente paralisado, coração muito acelerado, dor de cabeça, tonta, fisgadas no peito, costas, barriga… achei que fosse morrer. E passei por isso várias vezes, mas era diagnosticada com “nervoso” e me dopavam de calmantes. Até que um cardiologista me atendeu e resolveu me encaminhar para exames e saber se havia algo de errado com meu coração: bem, havia, prolapso da válvula mitral, arritmia  e sopro, mas nada grave, nada que pudesse me causar tudo aquilo. Ano passado fui diagnosticada com a Síndrome do Pánico pelo meu cardiologista (no caso era outro), e sim, levei mais um ano tendo crises até consegui ir. Sobre o tratamento? Não fiz até hoje, não rola tempo. Pra constar, tem quase 2 anos que tenho uma lesão na coluna que as vezes fico sem andar, mas não rola tempo. Ok, é saúde, mas eu SOU ANSIOSA e preciso fazer as minhas milhões de coisas primeiro. Mas é preciso tratamento sim, pois em alguns casos, pode causar um abuso nas bebidas, nas drogas e até mesmo depressão.

É uma das piores doenças do mundo. Hoje que eu sei com o que estou lidando eu me controlo. Mas, alguns sintomas são inevitáveis. Eu tenho medo de ficar louca ou de perder o controle (sintoma), eu evito algumas situações que possa mexer com meu emocional (sintoma)… e isso atrapalha muito a qualidade de vida.

Para vocês saberem melhor do que eu estou falando:

Resumo da Síndrome do Pânico:

A Síndrome do Pânico é um transtorno de ansiedade o qual ocorrem crises inesperadas de desespero ou medo de que algo ruim aconteça, mesmo que não exista nenhum sinal de que há algum perigo.

Sintomas – se liguem na lista:

  • Enjoos
  • Sensação de perigo iminente
  • Medo de perder o controle
  • Medo da morte ou de uma tragédia iminente
  • Sentimentos de indiferença
  • Sensação de estar fora da realidade (convivo com isso desde sempre)
  • Dormência e formigamento nas mãos, nos pés ou no rosto
  • Palpitações, ritmo cardiáco acelerado e taquicardia
  • Sudorese
  • Tremores
  • Dificuldade para respirar, falta de ar e sufocamento
  • Hiperventilação
  • Calafrios
  • Ondas de calor
  • Dores abdominais
  • Dores no peito e desconforto
  • Dor de cabeça
  • Tontura
  • Tensão muscular
  • Visão embaçada
  • Dificuldade para segurar a cabeça
  • Desmaio
  • Sensação de estar com a garganta fechando
  • Dificuldade para engolir
  • Insônia
  • Sensação de precisar ir no banheiro (outra coisa que acaba comigo, as vezes fico horas simplesmente sentando e levantando na privada achando que estou com vontade de fazer xixi, levo cerca de meia hora todos os dias antes de dormir para conseguir sair do banheiro, você sabe que é da sua cabeça mas não consegue fazer nada)
  • Dificuldade de pensar (lido com isso TODOS OS MINUTOS da minha vida, eu odeio isso com todas as minhas forças, eu sofro demais para me concentrar. Pensa em uma pessoa que NUNCA ficou de recuperação, nunca teve uma nota ruim? Fui do 100 ao 0,5 por causa disso, e sinceramente, não me conformo, é frustrante).
  • Despersonalização
  • Medo avassalador
  • Inchaço
  • Dificuldade de ouvir
  • Queimação pela pele
  • Fraqueza

Digo por experiência, as vezes vem tudo isso, junto. É horrível. Eu já tive e tenho todos os sintomas, sem exceção. E você as vezes está naquele dia super relax, nem tem motivos para estar tendo algum ataque, mas ele vem.

O que causa?

Bem, ela afeta mais as mulheres e geralmente aparece no início da idade adulta (meu caso). Algumas possíveis causas da Síndrome são:

  • Situações de estresse extremo (vivo nelas)
  • Morte ou adoecimento de uma pessoa próxima
  • Mudanças radicais ocorridas na vida (passei por algumas)
  • Algum histórico de abuso sexual
  • Ter passado por alguma experiência traumática, como um acidente
  • Genética
  • Temperamento forte e suscetível ao estresse (eu)
  • Mudanças de como o cerébro funciona e reage a certas situações

Coisas que ajudam na hora do ataque:

  • Respirar
  • Lembrar que isso incomoda, mas não mata
  • Mudar o foco da atençaõ (não é fácil, vai por mim, mas tem que tentar)

Vale ainda:

  • Comer frequentemente
  • Cortar cafeína (ou diminuir bem)
  • Não tentar guardar tudo na memória – eu por exemplo, como vivo com a cabeça cheia, e vi que não conseguia mais gravar tudo, e isso estava me gerando desespero, comprei uma agenda.

Uma coisa que fiz e ajudou muito: Ver que realmente não tinha algum problema de coração grave, afinal minha família tem inúmeros casos de infartos. Isso tirou de mim que era só um ataque de pânico, e não que eu iria morrer.

Sobre remédios: Meu cardiologista recomentou Rivotril de 0,5 para quando eu ficar nervosa, mas simplesmente não tomo. Tento me controlar. É bem ruim depender de remédios, não quero isso pra mim. Como não entrei no tratamento prefiro não arriscar nada, muito menos me medicar. Pra eu tomar algum calmante tem que ser um caso extremo MESMO.

Mas como são os ataques? Por experiência.  Quando sei que estou ansiosa, ou estressada, por motivos, geralmente começo a ter sintoma atrás de sintoma, gradualmente. Quer um exemplo: Nesse momento, que estou escrevendo, eu estou ansiosa porque os tênis da minha marca não chegam nunca, ansiosa pra terminar a minha loja virtual, ansiosa para terminar minha lista de coisas para fazer, mas venho lidando com isso tem seis dias, e hoje, acordei tremendo, suando, com dor no peito, braço dormente, e rosto formigando. Sim, estou escrevendo isso, com esses incomodos, e se eu não me acalmar, ou resolver isso, só vai piorar. Quando está tudo ok, o que é raro, e eu estou tranquila, meus ataques  que aparecem do nada (isso, do nada, não é porque viu um vulto ou algo assim, do nada mesmo) costuma ser: ou uma falta de ar do nada sinistra que quase me desmaia, ou começo a gritar (só aconteceu duas vezes) e por mais que minha cabeça me diga que está tudo bem, eu não consigo parar. MEUS ataques não tem nada haver com ficar chorando alto, batendo nas coisas, perdendo a noção das coisas, nada disso. Esses que vem do nada, passam bem rápido também, já o outro das dores e tudo mais duram dias as vezes. Ah, vale comentar que não pode me acordar, geralmente acordo assustada, com o coração na boca. Minha mãe as vezes chama pelo meu nome e eu vou abrindo os olhos devagar, sem pressa. Mas uns meses atrás tive que lidar (minha família também) comigo acordando assustada durante a noite por várias vezes ao longo dela.

Consigo evitar? As vezes sim. As vezes não. Por mais que alguns venham do nada e não há o que fazer, ultimamente eu consigo sentir meu corpo e minha mente mudar, porque o corpo libera adrenalina  na corrente sanguínea que gera a reação de medo, quando percebo isso eu começo a respirar devagar pra já ir me acalmando, aí passa as vezes.

Se você conhece alguém que lida com isso, por favor, tenha paciência, e tenha certeza de que ninguém gosta disso, muito menos a pessoa. Me sinto ridícula as vezes falando sobre isso aqui, no meu blog, que não tem nada haver com o assunto, falando que é horrível mas que a doença não passa de um “medinho” infundado. Por muitas vezes pensei em escrever e evitei, mas, eu sei que isso vai ajudar muitas pessoas.

Sabe o: Façam o que eu digo mas não façam o que eu faço? Então, procurem ajuda de um profissional, ninguém merece ter que lidar com essas coisas sozinho.

*Fonte: Minha Vida, o resto resumi de vários sites, pois já estudei muito sobre isso.

Fiquem com Deus, beijos  

1 2